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	<title>Sleeping Ocean &#187; telemóvel</title>
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	<description>A dormir num canto qualquer</description>
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		<title>O cliché</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2008 20:11:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A minha mão desliza pela secretária. Encontra o telemóvel. Detém-se por um momento nas suas teclas e percorre-as. Num gesto involuntário, agarro-o e puxo-o para mim. Desbloqueio-o. Abro uma nova mensagem de texto. Começo a escrever. Apago. Páro. Pouso-o na mesa. Escrevo novamente. Apago. Saio. Bloqueio. Volto a pousá-lo. Merda. var wordpress_toolbar_urls = [];var wordpress_toolbar_url [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify">A minha mão desliza pela secretária. Encontra o telemóvel. Detém-se por um momento nas suas teclas e percorre-as. Num gesto involuntário, agarro-o e puxo-o para mim. Desbloqueio-o. Abro uma nova mensagem de texto. Começo a escrever. Apago. Páro. Pouso-o na mesa. Escrevo novamente. Apago. Saio. Bloqueio. Volto a pousá-lo. Merda.</p>
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		<title>Esperar</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Dec 2007 16:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[diário]]></category>
		<category><![CDATA[comboio]]></category>
		<category><![CDATA[telemóvel]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Entro na estação de Entrecampos às onze e meia da noite. A plataforma está vazia, com excepção de duas pessoas. Dirijo-me a uma delas e pergunto se ainda vai passar algum comboio para Alverca, mas ele não me sabe responder. Por isso, forço-me a descer novamente as escadas, até ao televisor que indica os próximos comboios. Roma-Areeiro, Roma-Areeiro, Roma-Areeiro, Roma-Areeiro. Nesta noite, já não tenho maneira de ir para Alverca sem ser de carro. Merda, lá vou eu ter que ficar à espera.</p>
<p align="justify">- Estou, pai? Perdi o comboio, podes vir buscar-me?<br />
- Claro, onde é que estás?<br />
- Entrecampos.<br />
- Na estação de comboios?<br />
- Sim&#8230;<br />
- Então não saias daí, que eu vou buscar-te.<br />
- Está bem, até já. Beijinhos.<br />
- Até já.</p>
<p align="justify">De Alverca a Entrecampos leva pelo menos meia hora, por isso ponho-me a vaguear pela estação com um saco de compras numa mão e a mala na outra. Vou até ao Metro, para saber se ainda está aberto. Talvez possa ir até ao Oriente, e quando chegar lá não tenho que ficar muito tempo à espera. Evito a passadeira rolante e arrasto-me lentamente até à entrada. De facto, ainda estão a passar comboios. Pego outra vez no telemóvel.</p>
<p align="justify">- Estou? O Metro ainda está aberto. Posso ir até ao Oriente? Se calhar dá-te mais jeito.<br />
- Não, deixa estar, agora já estou a caminho.<br />
Bolas.<br />
- Mas tens a certeza?<br />
- Tu é que sabes. A mim não me faz muita diferença.<br />
Humpf.<br />
- Pronto, eu fico aqui. Mas demoras muito?<br />
&#8220;Mas&#8221; é uma daquelas conjunções que tornam a minha linguagem demasiado repetitiva.<br />
- Uns dez minutos.<br />
Dizer que faltam dez minutos significa que vai demorar vinte. Eu herdei a mesma mania dele.<br />
- Bah&#8230; Ok, até já.</p>
<p align="justify">De repente, dá-me vontade de ir à casa de banho. De volta à estação de comboio, sigo as indicações até chegar a um buraco esquecido lá no meio, onde existem, de facto, duas casas de banho malcheirosas. Que remédio. Não consigo aguentar até casa. Despacho-me o mais rápido possível e regresso à plataforma, o único sítio onde me posso sentar. Sento-me num banco ao pé do relógio, para me poder torturar com as horas. Meia noite.</p>
<p align="justify">Já podia estar quase em casa, se a CP tivesse comboios em circulação um pouco até mais tarde. Não percebo por que razão passam sempre comboios na direcção de Sintra e na de Alverca há tantas horas mortas. Creio que é uma questão de logística, enfim, não posso fazer nada.</p>
<p align="justify">«Catarina, recebeste a minha última sms?»<br />
«Sim, mas já estava na cama, por isso não posso ligar o computador.»<br />
«Ah, obrigada na mesma, então. Desculpa ter-te acordado.»<br />
«Não me acordaste, não consigo adormecer.»<br />
«Que merda de vida.»</p>
<p align="justify">Guardo o telemóvel no bolso e olho para as roupas que comprei. Depois disto, devo ter ficado para aí com dez euros na conta, mas se pude gastar algum dinheiro significa que o tinha. O que interessa é que possa pagar os almoços até ao final do mês. Além disso, estava a precisar, porque no Inverno passado tive um ataque e dei metade da minha roupa velha aos pobres.</p>
<p align="justify">Meia noite e cinco. Vem-me à cabeça uma música que já não ouço há algum tempo. Começo a cantarolá-la para matar os minutos.</p>
<p align="justify"><em>Prison gates won&#8217;t open up for me<br />
On these hands and knees I&#8217;m crawlin&#8217;</em></p>
<p align="justify">O tempo passa devagar para quem espera e demasiado depressa para quem é esperado.</p>
<p align="justify"><em>Well I&#8217;m terrified of these four walls<br />
These iron bars can&#8217;t hold my soul in</em></p>
<p align="justify">Ultimamente, não é raro os meus dias terminarem à espera de boleia na paragem do comboio. Devia ter mais atenção aos horários. O meu pai é que paga sempre pela minha falta de atenção.</p>
<p align="justify"><em>Show me what it&#8217;s like<br />
To be the last one standing<br />
And teach me wrong from right<br />
And I&#8217;ll show you what I can be<br />
And say it for me<br />
Say it to me<br />
And I&#8217;ll leave this life behind me<br />
Say it if it&#8217;s worth saving me</em></p>
<p align="justify">O telemóvel vibra. É o meu pai.<br />
- Estou?<br />
- Já cheguei.<br />
Levanto-me e pego no saco.<br />
- Onde estás? &#8211; pergunto.</p>
<p align="justify"><em>Beep, beep, beep&#8230;</em></p>
<p align="justify">&#8220;Mas que raio?&#8230;&#8221;<br />
Olho em frente e ele está a entrar na plataforma.</p>
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