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	<title>Sleeping Ocean &#187; ficção</title>
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	<description>A dormir num canto qualquer</description>
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		<title>Manifesto Anti-Farsas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 23:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ainda há um ano e pouco atrás (nem sequer é preciso recuar muito), quando dizia que gostava de histórias de vampiros, algumas pessoas olhavam para mim, com o nariz meio torcido, e perguntavam &#8220;a sério&#8221;? Outras lembravam-se de mim quando ouviam algo sobre o assunto, e às vezes até recebia uma ou outra mensagem como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify">Ainda há um ano e pouco atrás (nem sequer é preciso recuar muito), quando dizia que gostava de histórias de vampiros, algumas pessoas olhavam para mim, com o nariz meio torcido, e perguntavam &#8220;a sério&#8221;? Outras lembravam-se de mim quando ouviam algo sobre o assunto, e às vezes até recebia uma ou outra mensagem como &#8220;está a dar uma série de vampiros no canal X!&#8221; E era fixe. Agradava-me ser a rapariga que gostava de coisas góticas e tinha uma panca pelos vampiros.
<p style="text-align:justify">Uma vez, sugeriram-me que lesse o <em>Crepúsculo</em>, porque tinha vampiros e era muito giro. Eu fui comprá-lo e li. Achei-o bastante lamecha, &#8220;mas está bem, tirando isso não é mau de todo, até tem os seus aspectos positivos e o seu não-sei-quê de piada&#8221;. Guardei-o na prateleira e ainda ali está, só lhe tendo mexido para o tentar pôr à venda no Ebay.</p>
<p style="text-align:justify">Nunca pensei que, poucos meses depois, rebentasse uma moda louca de vampiros, que faria com que toda a gente desinformada trouxesse à baila o raio do livro, ao falar-se das desgraçadas criaturas. É ver-se, sempre que aparece algum título novo, expressões como &#8220;era do <em>Crepúsculo</em>&#8220;, podendo citar mesmo a <a href="http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=25796&#038;e_id=4&#038;c_id=1&#038;dif=tv&#038;hora=15:40&#038;dia=28-11-2009">programação da RTP</a>. Contudo, tenho para mim que todos os livros e séries que aproveitaram o protagonismo desta saga, exageradamente sobrevalorizada, hão de ser mais vampirescos que a própria.</p>
<p style="text-align:justify">Estou a escrever isto porque me irrita. E não sou a única com esta opinião. De repente, é ver pessoas insuspeitas a dizer que adoram os bichos, sem sequer perceber o que estes são realmente. Se virem ou lerem obras com vampiros a sério, provavelmente acharão mórbido e horroroso. Seres mortos-vivos que arrancam o sangue do pescoço à dentada não são propriamente românticos, minhas amigas. A título de exemplo, refiro o <em>Drácula</em> ou as <em>Crónicas dos Vampiros</em> de Anne Rice (das quais surgiu o filme <em>Entrevista com o Vampiro</em>), ou mesmo algo mais recente, como o <em>Underworld</em> ou <em>O Historiador</em>.</p>
<p style="text-align:justify">Pois leiam, e passem a dizer que gostam do <em>Crepúsculo</em>, e não de vampiros em si, para que as pessoas que os apreciam não se sintam embaraçadas. E para vosso próprio bem, porque vocês não são; apenas não são esse tipo de pessoa. Obrigada.</p>
<p style="text-align:justify">E é a última vez que falo disto, não vá arriscar-me a ganhar alguma espécie de mania!</p>
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		<title>O Porco</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 13:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[escs]]></category>
		<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[blender]]></category>
		<category><![CDATA[Laboratório 3D]]></category>
		<category><![CDATA[porco]]></category>

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		<description><![CDATA[A Melancolia de Piggy from Claudia on Vimeo. O resultado de uma semana de relação simbiótica com o Blender. xP var wordpress_toolbar_urls = ["http:\/\/vimeo.com\/3000694","http:\/\/vimeo.com\/user1165502","http:\/\/vimeo.com"];var wordpress_toolbar_url = "";var wordpress_toolbar_oinw = "n";var wordpress_toolbar_hash = "aHR0cDovL3d3dy5zbGVlcGluZy1vY2Vhbi5jb20vMjAwOS9lc2NzL28tcG9yY28vPHdwdGI%2BTyBQb3Jjbzx3cHRiPmh0dHA6Ly93d3cuc2xlZXBpbmctb2NlYW4uY29tPHdwdGI%2BU2xlZXBpbmcgT2NlYW4%3D";]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><object width="400" height="300"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3000694&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3000694&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="400" height="300"></embed></object><br /><a href="http://vimeo.com/3000694">A Melancolia de Piggy</a> from <a href="http://vimeo.com/user1165502">Claudia</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</center></p>
<p style="text-align:center">O resultado de uma semana de relação simbiótica com o Blender. xP</p>
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		<title>Sonho</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 00:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[sonho]]></category>

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		<description><![CDATA[Confrontada com a pergunta, ela desviou o olhar, sem conseguir encará-lo. - Acho que não. Nunca compreendi muito bem o que é isso do Amor. Habituei-me a viver entre os compromissos do trabalho e os meus corações partidos. É que nunca soube deixar que alguém me amasse. Por isso, o Amor acabou por ser sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confrontada com a pergunta, ela desviou o olhar, sem conseguir encará-lo.<br />
- Acho que não. Nunca compreendi muito bem o que é isso do Amor. Habituei-me a viver entre os compromissos do trabalho e os meus corações partidos. É que nunca soube deixar que alguém me amasse. Por isso, o Amor acabou por ser sempre doloroso para mim. Nunca passou de paixões não correspondidas e pré-relações falhadas. Percebes?<br />
Ele pegou-lhe no rosto, forçando-a a olhá-lo nos olhos.<br />
- Como é possível que não conheças o Amor? Uma pessoa como tu?<br />
Ela reprimiu uma gargalhada, o que a fez soltar um soluço amargurado.<br />
- Como eu?<br />
- Sim.<br />
- Bem, acho que foi uma questão de timing&#8230; e outras vezes de azar.<br />
- Pois, calha a todos.<br />
- É só isso que tens a dizer?<br />
- É.<br />
Ele baixa o olhar. Ela olha para todo o lado menos para ele. Para as nuvens, para os pássaros, para o letreiro de uma carrinha que passa na estrada, ao fundo, quando termina o jardim.<br />
- Sabes&#8230; &#8211; diz ela &#8211; Acho que sou perita em desperdiçar oportunidades.<br />
- Garanto-te que não vais perder esta.</p>
<p>E depois o despertador tocou.</p>
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		<title>O Café</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 02:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conversas]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Eram cerca de oito horas da noite quando ela chegou. Tinham combinado às seis e meia, mas ela atrasava-se sempre. Ou era o autocarro, ou a aula que durara mais que o previsto, ou a velha amiga que tinha encontrado por acaso e que a retera por mais tempo na conversa. Os amigos riram alegremente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="right"><embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://stat.radioblogclub.com/radio.blog/skins/mini/player.swf" allowScriptAccess="always" width="180" height="23" bgcolor="#FBFBFB" id="radioblog_player_-1" FlashVars="id=-1&#038;filepath=http://www.radioblogclub.com/listen2?u=0vMHZuV3bz9ybpRWYy9SbvNmLzR2bvdnZvt2Yl5mL3d3d/Aimee%2520Mann%2520-%2520Save%2520Me.rbs&#038;colors=body:#FBFBFB;border:#BBBBBB;button:#999999;player_text:#999999;playlist_text:#999999;" ></embed></div>
<p style="text-align:justify">Eram cerca de oito horas da noite quando ela chegou. Tinham combinado às seis e meia, mas ela atrasava-se sempre. Ou era o autocarro, ou a aula que durara mais que o previsto, ou a velha amiga que tinha encontrado por acaso e que a retera por mais tempo na conversa. Os amigos riram alegremente quando a ouviram desfazer-se em desculpas. Um deles levantou-se, pegou-a pelos braços e fê-la sentar-se na cadeira.</p>
<p style="text-align:justify">- Nós também nos atrasámos, não precisas de pedir desculpa.</p>
<p style="text-align:justify">- Já estão aqui há muito tempo? &#8211; Perguntou, ainda a arquejar, por causa da corrida que fizera para não chegar ainda mais tarde.</p>
<p style="text-align:justify">Eles olharam uns para os outros, sorriram, mas não responderam directamente à pergunta. Já se habituara a que assim fosse. No início, irritava-a um pouco, mas com o tempo ela própria começara a ganhar a mesma mania.</p>
<p style="text-align:justify">- Estávamos aqui a falar sobre as nossas relações falhadas. &#8211; Informou uma delas.<br />
- Eles são parvos. &#8211; respondeu o outro.</p>
<p style="text-align:justify">Ela fixou um ponto qualquer atrás da cabeça de um dos rapazes e suspirou.</p>
<p style="text-align:justify">- Deixa-me adivinhar como acaba&#8230;<br />
- O amor é uma ilusão.</p>
<p style="text-align:justify">A rapariga tirou um cigarro da mala, pegou no isqueiro e acendeu-o.</p>
<p style="text-align:justify">- Sabes que não é bem&#8230; &#8211; Antes de terminar a frase, deparou-se com um dos rapazes a observá-la com uma expressão divertida. &#8211; Que foi? &#8211; Perguntou, arqueando uma sobrancelha.<br />
- Não sabia que fumavas! &#8211; Riu.<br />
- Mas fumo. Qual é o problema?<br />
- Calma. Só achei piada a ver-te sacar do cigarro com tanta naturalidade.</p>
<p style="text-align:justify">Ela sorriu e deu outra passa.</p>
<p style="text-align:justify">- Sabes que não é bem assim. Os meus pais já vivem juntos há anos. Sobreviveram a várias dificuldades e resolveram milhares de discussões. Aprenderam a conviver com os defeitos um do outro, a tal ponto que já não os incomodam. Partilham as alegrias, as tristezas, as derrotas e as vitórias. Aconteça o que acontecer, apoiam-se um ao outro. Se isso não é amor, não sei o que será.<br />
- Tens a certeza que eles ainda têm sexo?<br />
Arqueou novamente a sobrancelha. &#8211; Parva! Sei lá.<br />
- Vês? Se não tiverem, é só uma amizade disfarçada.<br />
- Às vezes tens argumentos tão falaciosos.<br />
- E tu usas uns termos um bocado pomposos.</p>
<p style="text-align:justify">Calaram-se. Um dos amigos pegou no cigarro dela e apagou-o no cinzeiro.</p>
<p style="text-align:justify">- Existem paixões, isso sim. &#8211; Disse, antes de deitar a beata para um vaso de plantas ao seu lado. &#8211; Às vezes até podem ser à primeira vista, à primeira conversa. Outras, vão nascendo com o tempo. Estas últimas até podem ser das mais duradouras. Seja como for, há um dia em que o fogo se apaga por completo. Seja de repente, demore anos. Acaba por acontecer. É inevitável. E cada vez que acaba uma paixão, somos um pouco menos inocentes do que éramos quando ela começou.<br />
- Nem sempre.<br />
- Às vezes é preciso que a pessoa que amamos nos magoe muito para que consigamos deixar de gostar dela. &#8211; Comentou outra, baixando os olhos. &#8211; E mesmo assim, às vezes&#8230; &#8211; A sua voz reduziu-se a um fio rouco, de modo que ninguém conseguiu ouvir o fim da frase.</p>
<p style="text-align:justify">Fez-se silêncio por alguns instantes. Cada um reflectia sobre as relações que tivera ao longo da vida.</p>
<p style="text-align:justify">- Sabem a última do Sócrates? &#8211; Alguém tentou quebrar a tensão.</p>
<p style="text-align:justify">Ninguém respondeu.</p>
<p style="text-align:justify">- É isso. Paixão. Ficas apanhada por uma pessoa e descobres que não dá. Atiras-te de cabeça para uma relação impossível ou para um amor não correspondido. Sofres até não aguentares mais. E depois, quando começas a apaixonar-te outra vez, bates com a cabeça na parede e evitas a todo o custo que os teus sentimentos evoluam, com medo de não ser correspondida outra vez. Não queres voltar a sofrer, e por isso reprimes-te. Por isso, foges a todo o custo de qualquer relacionamento com o sexo oposto.</p>
<p style="text-align:justify">Alguém pigarreou e duas pessoas deram uma gargalhada.</p>
<p style="text-align:justify">- O que é que tem tanta graça nos meus problemas existenciais?<br />
- Não é nada disso. Só achámos piada a uma das tuas expressões.<br />
- Ah, bom.<br />
- Vocês queixam-se das vossas relações falhadas. &#8211; Suspirou um dos rapazes, impedindo que se instalasse um certo clima de descontracção. &#8211; Mas não sabem o que é&#8230; Não sabem que é ainda mais frustrante nunca ter tido uma única relação. Não sabem como é passar anos a ouvir os amigos queixarem-se sem conseguir perceber o que eles estão a sentir. Ou, mesmo quando se percebe, eles continuam a atirar-nos à cara que não podemos compreendê-los. Que tomara que nunca venhamos a passar pelo mesmo. E no fundo, tudo o que queremos é exactamente isso: passar pelo mesmo.</p>
<p style="text-align:justify">A rapariga que chegara atrasada levantou-se, batendo de propósito com o casaco no tampo da mesa. Todos a olharam, admirados.</p>
<p style="text-align:justify">- Alguém quer pastilhas? E cafés? Talvez uma sandes ou um bolo? Digam-me, que eu vou buscar.</p>
<p style="text-align:justify">Quando chegou ao balcão, a sua visão estava turva das lágrimas.</p>
<p style="text-align:justify">(Quis experimentar escrever uma cena de ficção utilizando remendos de conversas que tive ao longo do último ano. Excepto este facto, nada nesta história se passou ou passa na realidade.)</p>
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		<title>A Carta &#8211; Conclusão II: A Prostituta</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Feb 2008 00:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[a carta]]></category>

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		<description><![CDATA[O sorriso dele era reconfortante. De certo modo, lembrava-lhe o primeiro namorado, que lhe escrevera aquela carta, que ainda guardava na gaveta das recordações. Naquela altura, sentira um pouco de irritação. Disse-lhe que ele não sabia do que falava, pois não podia compreender toda a confusão dentro da sua cabeça. Mas vinte anos depois, ali [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify">O sorriso dele era reconfortante. De certo modo, lembrava-lhe o primeiro namorado, que lhe escrevera aquela carta, que ainda guardava na gaveta das recordações. Naquela altura, sentira um pouco de irritação. Disse-lhe que ele não sabia do que falava, pois não podia compreender toda a confusão dentro da sua cabeça.</p>
<p style="text-align:justify">Mas vinte anos depois, ali estava ela. A dor, os erros, esses vieram e voltaram tantas vezes que já lhes perdera a conta, mas estava ali porque conseguira ser suficientemente forte para aguentar. E agora, em frente àquele rosto, percebeu que a pessoa que este lhe lembrava a conhecera melhor do que ela própria.</p>
<p style="text-align:justify">Mas não o procurou para lho dizer. O tempo e a distância separaram-nos a tal ponto, que já era mesmo tarde de mais.</p>
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		<title>A Carta &#8211; Conclusão I: O Toxicodependente</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Feb 2008 01:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[a carta]]></category>

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		<description><![CDATA[O rapaz chegou a casa às nove da manhã, depois de uma noite de directa. Com uma exclamação de espanto, as mãos entorpecidas encontraram a porta escancarada. Abriu-a e os olhos, enevoados, foram pousar em algo diferente. Desde que se lembrava, a disposição dos objectos na mesa da entrada nunca mudara. A mãe, sempre meticulosa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify">O rapaz chegou a casa às nove da manhã, depois de uma noite de directa. Com uma exclamação de espanto, as mãos entorpecidas encontraram a porta escancarada. Abriu-a e os olhos, enevoados, foram pousar em algo diferente. Desde que se lembrava, a disposição dos objectos na mesa da entrada nunca mudara. A mãe, sempre meticulosa, prezava a ordem acima de tudo.</p>
<p style="text-align:justify">Mas nessa manhã, encontrou uma folha de papel em cima da mesa. Não poderia estar ali por acaso. Contudo, a noite deixara-lhe a mente demasiado mole para conseguir ler. Por isso, dirigiu-se ao quarto e caiu sobre a cama, exausto até ao limite.</p>
<p style="text-align:justify">Nessa mesma tarde, um vizinho foi encontrá-lo sem pulsação. Quanto à carta, ela lá continua, no mesmo sítio, à espera que alguém a vá ler.</p>
<p style="text-align:justify">Da mãe nunca mais se soube nada.</p>
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		<title>A Carta</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 01:44:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[a carta]]></category>

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		<description><![CDATA[No one will ever see This side reflected And if there&#8217;s something wrong Who would have guessed it And I have left alone Everything that I own To make you feel like It&#8217;s not too late It&#8217;s never too late Seriam cerca de duas horas da manhã quando acendeu a lâmpada da secretária e pegou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><center><object width="300" height="80"><param name="movie" value="http://media.imeem.com/m/Sy2W6ys9SY/aus=false/"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://media.imeem.com/m/Sy2W6ys9SY/aus=false/" type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="80" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>No one will ever see<br />
This side reflected<br />
And if there&#8217;s something wrong<br />
Who would have guessed it<br />
And I have left alone<br />
Everything that I own<br />
To make you feel like<br />
It&#8217;s not too late<br />
It&#8217;s never too late</center></p></blockquote>
<p style="text-align:justify">Seriam cerca de duas horas da manhã quando acendeu a lâmpada da secretária e pegou numa folha de papel. Os seus dedos tremiam ao longo da caneta hesitante, enquanto a percorriam. Primeiro uma, depois duas gotas salgadas caíram sobre a superfície branca. Passou a mão, num gesto ríspido, para a secar, mas já estava encarquilhada. Suspirou alto e ajustou a luz do candeeiro. Finalmente, começou a escrever. Os gatafunhos, tristes e irregulares, seriam apenas perceptíveis para a pessoa a quem se destinavam.</p>
<p style="text-align:justify">«Olho para trás e vejo-te a correr noutra direcção qualquer, que não a minha. É claro que nunca pensei que o fizesses de maneira diferente. Não conheço o fim da tua estrada. Apesar de saber que poderia ir lá parar se o quisesse, mas escolhi deixar-me ficar por ruas menos obscuras. Contudo, o meu coração não consegue evitar um aperto angustiante quando penso que te esforças em busca de um ideal que nunca vais alcançar, porque não existe. Às vezes, choro um pouco antes de adormecer, porque não fui capaz de te ajudar a ser feliz. Queria que fosses, juro que queria. E os meus olhos estão sempre húmidos de sal amargo porque o meu coração diz-me que ainda não é tarde, enquanto a minha cabeça tem a certeza que já não há salvação possível.</p>
<p style="text-align:justify">»Acreditas em tantas coisas, que te fazem perseguir tantos sonhos&#8230; Se ao menos pudesse dizer-te que no fundo não há nada em que acreditar. Que podias ser feliz, se te apetecesse. Só a ti, que tens esse dom de poder ser feliz quando te apetecer.</p>
<p style="text-align:justify">»Mas tu, que o podes, não o queres ser, porque tens medo da tua própria força. Só queria dizer-te que às vezes o caminho a que chamam correcto é o mais difícil de todos, mas por vezes é o único que te traz realização.</p>
<p style="text-align:justify">»Um dia vais percebê-lo, e aí dir-te-ei que nunca é tarde.»</p>
<p style="text-align:justify">Pousou a caneta, com mais um suspiro. Sem reler, dobrou a folha e deixou-a em cima da mesa da entrada.</p>
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		<title>A Pena, o Seixo e o Salgueiro</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jan 2008 04:31:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez um país onde umas pessoas nasciam no fundo do mar e outras em cavidades nas nuvens. As primeiras, de pele branca como as estrelas e olhos negros como a noite, eram dotadas de cauda de peixe em vez de pernas e não conheciam o significado da palavra &#8220;calor&#8221;. As águas do seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Era uma vez um país onde umas pessoas nasciam no fundo do mar e outras em cavidades nas nuvens. As primeiras, de pele branca como as estrelas e olhos negros como a noite, eram dotadas de cauda de peixe em vez de pernas e não conheciam o significado da palavra &#8220;calor&#8221;. As águas do seu oceano não ultrapassavam os cinco graus negativos e as nuvens cobriam todo o céu, pelo que não viam nunca a luz do dia. As segundas tinham asas de penas negras no lugar dos braços e nunca experimentavam a sensação de lábios arroxeados pelo frio, porque os raios do Sol acariciavam permanentemente o algodão fofo das suas cavernas enubladas. A irís, azul da cor do céu, contrastava com o castanho escuro da sua pele.</p>
<p align="justify">Neste país existia apenas uma regra: as pessoas do mar não iam à superfície e as do céu não se debruçavam para espreitar a água. Era um tabu com o qual todos conviviam sem questionar, porque sempre fora assim, desde há tempos tão remotos que ninguém se lembrava de alguma ver ter sido diferente.</p>
<p align="justify">De facto, ninguém se podia recordar, porque ninguém se lembrara de registar a História da população. Mas nem era preciso, porque os acontecimentos da vida dos pais repetiam-se nas dos filhos, tanto num mundo como no outro. Apesar deste princípio em comum, as comunidades empreendiam modos de vida muito distintos. A reprodução, por exemplo, encarava-se de maneira completamente diferente.</p>
<p align="justify">No céu, as pessoas só se apaixonavam uma vez. Aos dezoito anos, geralmente, efectuava-se uma pequena cerimónia para efectivar a união e era unicamente com esse parceiro que tinham filhos. Nunca se transgrediu esta regra, nem havia vontade de o fazer.</p>
<p align="justify">Já no mar, as mães abdicavam dos filhos à nascença. Estes eram criados em infantários e iam viver sozinhos quando completavam catorze anos. Partilharem a vida com alguém estava fora de questão. Todos sabiam por que motivo as mulheres engravidavam, mas jamais se referia o assunto. O certo é que nunca era por amor, porque os seus corações estavam educados para não o sentir.</p>
<p align="justify">Por conseguinte, já se adivinha que as duas populações desconheciam a existência uma da outra.</p>
<p align="justify">Um dia, não se sabe como, um menino do Céu deixou escapar uma das suas penas por entre as nuvens. Então, inundou-o um sentimento inesperado de ânsia pelo desconhecido e, sem mais reflexões, mergulhou de cabeça no espaço por onde caíra a pena. Em segundos, tinha ultrapassado as nuvens e sentia que a cabeça ia rebentar. Com um leve bater de asas, a sensação dissipou-se: os seus membros superiores encheram-se de ar fresco, permitindo-lhe flutuar durante a descida. Primeiro, avistou a pena, mas não conseguiu controlar suficientemente o voo para a conseguir alcançar. Então, fechou os olhos e deixou-se cair, inspirando e expirando devagar. A pena já não importava.</p>
<p align="justify">Subitamente, sentiu o peito aterrar em algo áspero. Abriu os olhos e à sua volta só existiam grãos minúsculos e acastanhados. A temperatura não era fria, mas já não era quente como em casa. A ele agradava-lhe especialmente. De qualquer maneira, o calor excessivo sempre o incomodara, apesar de todos os outros se sentirem bem com ele.</p>
<p align="justify">Depois de alguns segundos a respirar o novo ambiente, apoiou as asas no chão para se levantar. E surpreendeu-se ao perceber que agora já não eram asas. Em vez delas, tinha algo que se assemelhava a pernas e pés, mas mais elegantes e flexíveis. Ergueu-se, então, e atrás de si deparou-se com o Mar. &#8211; Nessa altura, ainda não sabia que era essa a denominação que lhe davam. &#8211; Os seus olhos brilharam de uma emoção nova, inspiradora, inexplicável. Queria fazer algo para que esse imenso desconhecido ficasse com a sua marca. Por isso, pegou numa pequena pedra cinzenta, maior que os grãos de areia, e atirou-a o mais longe que conseguiu. O que não foi muito, já que não estava habituado a usar os novos braços. Ela salpicou na água e desapareceu.</p>
<p align="justify">No Mar, uma menina viu o seixo atirado pelo menino do céu e desejou saber de onde ele vinha. Tal como ele, não se preocupou em quebrar as regras e nadou desenfreadamente até à superfície. O contacto ríspido do ar com a sua pele provocou-lhe um arrepio. Abriu os olhos e viu como as cores naquele novo lugar eram tão diferentes, tão encantadoras. As nuvens, de milhares de tons de branco, não se viam lá de baixo, por causa dos reflexos da água.</p>
<p align="justify">O menino, estarrecido, fitou-a enquanto ela nadou na sua direcção e puxou-a para fora quando a conseguiu alcançar. Quando ela perdeu os sentidos, ele sentou-se a seu lado a observar a cor da sua pele e os cabelos negros e lisos, tão diferentes dos seus. Nunca vira uma pessoa assim. Sorriu e colocou-a entre os seus braços, à espera que ela despertasse.</p>
<p align="justify">Passaram-se anos desde esse dia. Hoje sentam-se ambos de mãos enlaçadas, protegidos pela sombra da folhagem de um salgueiro. Ele toca com o seu pé no dela para lhe fazer cócegas. Ela solta um risinho abafado e puxa-lhe uma madeixa de cabelo dourada, tal como da primeira vez. Ali perto, brincam duas crianças que nunca souberam como é ter asas de pássaro ou cauda de peixe.</p>
<p align="justify">No Mar e no Céu não mudou nada.</p>
<p align="justify">E todos viveram felizes para sempre.</p>
<p align="justify" style="font-size:9px;">(Ainda precisa de ser corrigido e desenvolvido, mas isso logo farei quando tiver mais tempo. Por agora, espero que gostem um bocadinho! =P)</p>
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