Egoísmo

Desde os meus primeiros anos de escola, lembro-me de ouvir várias vezes que me devia preocupar primeiro comigo, e só depois com os outros. O mais importante era o que eu queria. Qualquer opinião além da minha ficaria para segundo plano. Ninguém tinha direito de influenciar as minhas decisões a não ser eu própria.

E isto que disse, muita gente ouviu. É por isso que, em qualquer altura do vosso percurso escolar, terá aparecido um colega que não deixou a professora adiar um teste, porque tinha estudado muito, ainda que o resto da turma estivesse aflita. Ou aquele que não emprestou os apontamentos, por medo que o superassem.

Depois crescemos e começam a surgir as temáticas da compreensão e da solidariedade para com o outro. Mas na vida adulta continuam a aparecer os chefes que não pensam no bem-estar dos colaboradores e os colegas que passam por cima dos outros.

Se calhar a cultura do egoísmo já está muito metida nas cabeças, sei lá… Nos últimos tempos, parece-me que falta calor humano nas interacções sociais. Poucas pessoas tentam esboçar um pouco de simpatia quando se dirigem a outro, se estiverem cansados ou com algum problema, mesmo que seu o interlocutor não seja um interveniente na situação incómoda. Também vejo pouco esforço para acreditar no desenvolvimento positivo de alguém, ou da sociedade em geral.

Porquê? Porque é difícil acreditar e confiar nos outros? Claro que há quem não consiga aprender, quem seja calculista, quem não veja além do seu nariz… Contudo, se conseguimos distinguir estes traços de personalidade, é porque os podemos opôr a algo contrário, que também existe. E agir como se toda a gente tivesse má vontade é, precisamente, cultivá-la. Porquê então este conformismo geral?

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Comentários

  1. Citação

    Estou a lembrar-me daquela do Dolcevita Miraflores. =x

    É verdade que há “pouco esforço para acreditar no desenvolvimento positivo de alguém, ou da sociedade em geral”, mas é por isso que temos de marcar a diferença! =)

    Acho que se deve dar o voto de confiança às pessoas, seguindo, de certa forma, a intuição. Se ficarmos atentos, perceberemos até que ponto essa pessoa é nossa amiga, ou não.

    Podemos e devemos aceitar os outros como eles são, mas não nos devemos conformar. Temos o direito de nos afastar ou ignorar o outro, quando ele nos prejudica. Tentar mudá-lo à força seria inútil.

    Mas eu acredito que a mudança é algo que se propaga, portanto, mãos-à-obra! x)

  2. Citação
    Cláudia disse em 01 de Feb de 2010, 21:27:

    Foi mesmo nessa senhora da sapataria do Dolce Vita que pensei, quando escrevi isto.

    Não me referia tanto a relações entre amigos, mas sim ao modo como abordamos os estranhos. Tenho visto muitas pessoas comportarem-se de forma inadequada com quem não conhecem, ou comentarem coisas maliciosas a respeito de. Há uma falta de noção generalizada de que aquele que não pensa como nós também é um ser humano, logo, as suas ideias não merecem ser ridicularizadas sem o compreendermos. Era isto que queria dizer. :p

  3. Citação

    Pensava que também estavas a falar das pessoas que nos são mais próximas. ^^” Sorry!

    Mas é isso mesmo!

    Gosto da maneira como expões as tuas ideias: abordas temas complexos com uma escrita rica e, ao mesmo tempo, acessível. :)

  4. Citação
    José disse em 17 de Feb de 2010, 2:25:

    Bem, já há uns tempos que aqui passo semana sim, semana não e quando li esta entrada não pude deixar de juntar a minha simpatia.
    Concordo com tudo o que li na tua entrada, visto que é um assunto que vem presente na minha mente desde há uns anos. A dinâmica entre dois desconhecidos é uma ligação que venho a tentar “racionalizar” (um hábito meu) há algum tempo e continuo sem uma resposta definitiva. Por exemplo: entre os nossos amigos temos leis mais ou menos bem estabelecidas: tudo o que for preciso para que eles estejam bem. É isso o que faremos por eles.

    Entre dois estranhos as coisas não funcionam assim, e porquê? Porque valem menos? Porque nunca fizeram nada por nós ou os conhecemos há menos tempo? Porque passamos menos tempo com eles metidos num café ou de copo na mão? Não há um limite ou uma regra que estabeleça até onde devemos ou podemos ir (sim, porque exagerar na simpatia para com estranhos pode ser ainda pior do que não existir simpatia) e isso deixa-me bastante confuso, pois uma filosofia de igualdade, de “faz tudo o que puderes, por todos os que puderes” não nos traria muitas mais vantagens?

    Acho que já divaguei um pouco mais do que queria, e percebi que o teu post estava um pouco mais direccionado às relações casuais de cortesia do que ao extremo de “ajuda humanitária” que estou a deixar transparecer.

    No fundo, o que querias dizer era, sejam mais simpáticos uns com os outros, acreditem no bem dentro de cada um e não no mal. Pois eu acredito, e até mo provarem em contrário, é nisso que vou continuar a acreditar.

    Devíamos formar um movimento ;)

    Desculpa a invasão e continuação de boas divagações.

    J

  5. Citação
    Cláudia disse em 18 de Feb de 2010, 19:38:

    Olá!

    Em primeiro lugar, obrigada pelo comentário! É sempre bom saber que há mais alguém por aí a ler as minhas tolices.

    E concordo com o que disseste. Mas é difícil levar alguém a perceber que existem pessoas fora da sua pequena bolha. :P

    Cumps

  6. Citação
    José disse em 24 de Feb de 2010, 14:35:

    Daí a necessidade do Movimento para o Acordanço da Humanidade (MAH) hehe

    Podíamos organizar jantares e convenções, desde que haja a mesinha dos snacks e café xD

    É um assunto delicado, visto que não podemos obrigar ninguém a preocupar-se com outros…
    Penso que a nossa sociedade (mundial) está a caminho de um declínio moral que vai destruir os valores que conhecemos até um ponto em que será impossível a vida em sociedade, para depois tudo ser reconstruído. É um cenário que já vimos acontecer em alguns locais (guerras civis, etc) e até há quem atribua a isso a destruição de culturas como os maias, mas eu ainda acredito na renovação sem a destruição.

    Como se costuma dizer, a esperança é a última a morrer, né? ;)

    Boas divagações,

    J

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