Leitura: Marked

Marked

Marked, P.C. & Kristin Cast

Foram duas as razões que me levaram a comprar este livro: a primeira foi a capa, com entalhes envernizados, semelhantes a flocos de neve. Em segundo lugar, estava ao pé da série Brumas de Avalon na prateleira da loja, o que me pareceu um bom presságio. Quando percebi que se tratava mesmo de uma história de vampiros, já me tinha decidido a comprá-lo. Depois da desilusão do Crepúsculo lamecha, andava relutante em ler novas abordagens do género.

Contudo, não me desiludiu. As autoras conseguiram criar uma personagem adolescente muito verosímil, com uma personalidade bem delineada, que toma as suas próprias decisões, mesmo quando é arrastada para todo o tipo de acontecimentos mirabolantes.

Quanto à história, mistura um conjunto variado de elementos de outras narrativas, mas de forma bem conseguida, sem acabar numa salganhada incoerente de ambientes e criaturas estranhas. Contada na primeira pessoa, a trama começa quando a personagem principal, Zoe, é “marcada” para ser algo mais que humana, sendo obrigada a transferir-se para uma escola com jovens iguais a ela. Aqui, vai aprender a sobreviver às mudanças físicas e psicológicas da transformação.

Apesar das semelhanças com Harry Potter não terminarem aqui, os elementos centrais estão longe de ser os mesmos. No mundo de Zoe, os humanos sabem da existência dos “vampyros”, apesar de não gostarem deles. A sociedade nova em que a personagem entra é fortemente baseada na Wicca, tanto nos rituais como na estrutura matriarcal. Neste aspecto, é uma lufada de ar fresco, no meio de toda a literatura de fantasia, que continua a ter medo de trocar a ordem das coisas em relação ao mundo real.

Admito que achei a nomenclatura “vampyro” um bocado idiota, mas ao fim de algumas páginas já não me incomodava.

No geral, foi uma leitura agradável, mas tenho pena que a história se desenrole rápido de mais. Pessoalmente, prefiro quando o leitor tem tempo para digerir as palavras. Não gosto de chegar ao fim e pensar “já?!”. A linguagem arrojada, no entanto, compensa um pouco, e o final em aberto promete mais acção.

O história continua no volume “Betrayed”, que penso adquirir um dia destes. A tradução dos dois para Português já se encontra disponível nas livrarias, mas, neste caso, prefiro manter-me pelo original. Claro que tenho curiosidade em ver como é que uma linguagem tão americanizada terá sido traduzida para a nossa língua materna.

Definitivamente, uma boa escolha para as adolescentes lamechas deixarem o Crepúsculo de lado, e aprenderem que é possível ter-se uma personagem da sua idade com massa cerebral, que faz algo mais da vida além de se babar para cima de um homem.

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Comentários

  1. Citação

    Não sou muito de ler histórias fictícias, embora a tua descrição do “Marked” torne o livro apetecível. Espero que haja uma versão no cinema. :P

  2. Citação
    Pedro disse em 16 de Nov de 2009, 14:58:

    Eu acho que também vou escrever um livro sobre vampiros. Vai-se intitular ‘Bãopeiro’ e vai retratar as aventuras e desventuras de um vampiro begueiro residente em Refóios do Lima. x.x

  3. Citação
    Cláudia disse em 16 de Nov de 2009, 20:26:

    loool!

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