Ponto de Situação

Durante a tarde, recebi um telefonema da Rádio Clube Português, a convidar-me a participar no programa de amanhã, para falar sobre a minha experiência de Erasmus. Infelizmente (ou felizmente, ainda não tenho bem a certeza…), fiquei sem dinheiro no telemóvel e chamada caiu, antes que pudesse aceitar o convite… ou pelo menos informar a senhora do meu número belga. A modos que posso dizer adeus aos meus cinco minutos de exposição pública.

Antes que a senhora desaparecesse, ainda consegui saber que as perguntas eram daquelas às quais, nos últimos tempos, costumo responder com duas ou três palavras. “Quais foram os motivos que a levaram a escolher a Bélgica como destino?”, “Que benefícios tem retirado da sua experiência?”

Costumo dizer que não consigo responder a este tipo de questões porque estou aqui há muito pouco tempo, pelo que não consigo organizar um discurso coerente. Mas a verdade é que já passou quase um mês. Devia ter muito para dizer. E se calhar até tenho, mas não me tem apetecido pensar. A habituação a um país novo, a uma língua nova, a uma cultura nova, eram coisas de que não tinha a noção de serem tão cansativas. Mas o que consome ainda mais tempo são aquelas tarefas que não me sentia obrigada a fazer quando vivia com os meus pais, ou nas quais eles ajudavam muito.

Em relação a Bruxelas, é uma cidade bonita. O centro tem aquele ar austero, típico de todos os centros de todas as cidades, enquanto que as comunas que se situam à sua volta (que funcionam mais ou menos como as freguesias de Lisboa, mas penso que têm alguma autonomia legislativa) têm cada uma as suas particularidades arquitectónicas e sociais – se bem que algumas não diferem muito umas das outras.

A rede de transportes na zona central funciona de maneira um pouco diferente da de Lisboa, pelo que é preciso tomarmos alguma atenção, para não entrarmos no transporte errado e irmos parar ao outro lado da cidade.

Em primeiro lugar, existem apenas duas linhas de metro, que vão de um lado ao outro de Bruxelas e que percorrem algumas estações em conjunto, na zona mais central. Depois, para completar essa rede, existem os eléctricos (os trams), que se cruzam com as estações de metro, e que chegam a quase todos os locais onde o metro não vai. Por fim, há os autocarros, claro, que chegam também onde não há tram nem metro. Relativamente a comboios, dentro de Bruxelas existem três estações principais: a Gare du Nord, a Gare Centrale e a Gare-du-Midi, todas ligadas a estações de metro e/ou tram, e o comboio que parte do aeroporto passa por todas elas.

No que respeita a locais para visitar, tenho pena que ainda não tenhamos visto muita coisa. No entanto, Bruxelas é rica em museus e em arte, e a própria Bélgica parece ter locais muito interessantes para dar uma espreitadela. Estou bastante curiosa para visitar Bruges um dia destes.

Note-se que, apesar de ainda não termos visto MUITO, já temos a nossa pequena quota de cultura. Ora vejamos:

Na sexta-feira passada, visitámos a exposição Body Worlds, que era substancialmente mais cara quando esteve em Lisboa – razão pela qual não a fui ver na altura. A visão dos órgãos e dos corpos humanos reais faz alguma impressão no início, mas acabamos por nos habituar à medida que avançamos.

Vimos também o Palácio Real de Bruxelas:

Palácio Real

E o Atomium:

Atomium

E o Manneken Pis:

Manneken Pis

Isto foi no dia em que o vestiram, porque normalmente ele está tal como veio ao mundo:

Manneken Pis

A meu ver, o que faz mais falta neste país é o Sol. Ainda só o vi uma vez desde que cá cheguei. Ora, para alguém que está habituada a vê-lo quase todos os dias, torna-se um pouco deprimente. A vida monotoniza-se e os dias parecem todos iguais. Na cidade de Lisboa, a temperatura agradável e a luz reflectida na calçada convidam-nos a passear na rua a toda a hora. Aqui não… por isso mesmo, há dias em que tudo parece escuro e triste.

Mas penso que conseguirei lutar contra isso. Principalmente agora. =)


Comentários

  1. Citação

    Claro que conseguirás! :]

    A força de vontade e a determinação já estão enraizadas em ti! Além disso, tens provado conseguir ultrapassar todo e qualquer obstáculo que surge no teu caminho. ;)

  2. Citação
    Pedro disse em 24 de Feb de 2009, 20:22:

    O Manneken Pis é um granda maluco x.x (na wikipedia diz que já o vestiram de Minhota x.x)

  3. Citação
    Tiago disse em 01 de Mar de 2009, 14:16:

    Não me digas que ainda não foste tomar uns copos a uma das esplanadas da Grand Place!! è uma praça muito bonita e importante. Eu quando fui ver o Atomium da ultima vez ele estava a cair por dentro, tinha mesmo bocados do tecto a cair e as escadas rolantes nem funcionavam, espero que o tenham restaurado. O American Piss é uma amostra de estátua ex libris de um país. For god sake, ainda consegue ser mais pequeno que uma criança da idade que ele aparenta. Gostei muito desta tua descrição de Bruxelas, quero mais! beijos

  4. Citação
    Cláudia disse em 13 de Mar de 2009, 13:36:

    Oh, a Grand Place é cara. xP

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