A Carta – Conclusão II: A Prostituta

O sorriso dele era reconfortante. De certo modo, lembrava-lhe o primeiro namorado, que lhe escrevera aquela carta, que ainda guardava na gaveta das recordações. Naquela altura, sentira um pouco de irritação. Disse-lhe que ele não sabia do que falava, pois não podia compreender toda a confusão dentro da sua cabeça.

Mas vinte anos depois, ali estava ela. A dor, os erros, esses vieram e voltaram tantas vezes que já lhes perdera a conta, mas estava ali porque conseguira ser suficientemente forte para aguentar. E agora, em frente àquele rosto, percebeu que a pessoa que este lhe lembrava a conhecera melhor do que ela própria.

Mas não o procurou para lho dizer. O tempo e a distância separaram-nos a tal ponto, que já era mesmo tarde de mais.


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