A Carta – Conclusão I: O Toxicodependente
O rapaz chegou a casa às nove da manhã, depois de uma noite de directa. Com uma exclamação de espanto, as mãos entorpecidas encontraram a porta escancarada. Abriu-a e os olhos, enevoados, foram pousar em algo diferente. Desde que se lembrava, a disposição dos objectos na mesa da entrada nunca mudara. A mãe, sempre meticulosa, prezava a ordem acima de tudo.
Mas nessa manhã, encontrou uma folha de papel em cima da mesa. Não poderia estar ali por acaso. Contudo, a noite deixara-lhe a mente demasiado mole para conseguir ler. Por isso, dirigiu-se ao quarto e caiu sobre a cama, exausto até ao limite.
Nessa mesma tarde, um vizinho foi encontrá-lo sem pulsação. Quanto à carta, ela lá continua, no mesmo sítio, à espera que alguém a vá ler.
Da mãe nunca mais se soube nada.