Medo

Esqueci-me. Acho.
Do sabor amargo,
Só amargo, sem doce,
Do Amor que não é correspondido.

Esqueci-me.
Agora que olho para ti
E não vejo nada,
Ou melhor, vejo tudo,
Vejo aquele amigo
Que já me viu rir desesperadamente
E chorar ainda com mais força,
Que já me viu podre de sono
De bebedeira
De tristeza.

Estás aí, sempre,
Aqui e agora.

Agora que me esqueci
De como era amar-te,
Cresce em mim
Este Medo.
Terrível.
Assustador.
Constrangedor.
Este Medo
De gostar de alguém outra vez.

Esse Medo
Que me prende,
Que me consome.

Que só não me destrói
Porque já me esqueci
De como é sofrer por Amor.

E esqueci-me, e quero esquecer
Que não posso amar outra vez.


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