Desencanto
A vida perdeu o brilho:
Já não tem graça,
Já não tem sentido.
Ainda chegou a ter interesse,
Mas isso era quando as pessoas nos sorriam
Com sinceridade.
Era quando os príncipes ficavam
Com as princesas
Ou com as filhas dos camponeses;
Para o caso tanto faz.
Quando adormecer não constituía o desafio
De todas as noites.
Perdeu o brilho, pois.
Já nem sabes se riram da tua piada
Ou da tua estupidez;
Nunca soubeste,
Mas antes não querias saber,
Se bem que agora também não.
Mas o agora é diferente,
Porque já não queres saber de nada.
Se houvesse um abismo à tua frente,
Saltavas para lá
E desaparecias para sempre,
Ou se calhar até não.
Se calhar até não,
Porque as pessoas iam ficar mal:
Aquelas que gostam realmente de ti.
Sim,
Porque por cima de tudo isto
Ainda há quem consiga gostar de ti,
Sabe-se lá porquê.
Não se compreende.
Mas também,
Sabem lá se és boa pessoa,
Porque já lá vai o tempo
Em que os feios eram maus
E os bonitos eram bons,
Aliás, já lá vai o tempo
Dos bons e dos maus.
Há muito que tais coisas
Deixaram de existir.
Agora há só gente
E objectos,
E sentimentos que se escondem
Quando deviam ser mostrados,
Outros que se revelam
Quando deviam ser escondidos.
E não há confusão;
Só factos que se seguem uns aos outros.
Afinal, é só isso,
Porque a vida perdeu o brilho.
Já não há nada.
Nunca houve.
Perdeu o brilho.
Cresceste um pouco.
Ai mulher, credo. Lembra-te sempre que a vida é bela, jamais perderá o brilho, se existimos temos de a fazer brilhar. Mais fácil dizer que fazer . . . eu sei, acredita que sei mesmo, aliás, tu sabes bem . . .
Já sei que me vais responder que não é propriamente sobre ti, que escreveste simplesmente porque . . . mas se escreveste é porque sentes algo dentro de ti que te fez escreve-lo.
E acredita mesmo, há sempre quem goste de ti, não te esqueças disso . . .