Hoje

Hoje não me sinto bem. Talvez tenha acordado assim, talvez a culpa seja de algum acontecimento menos agradável do meu dia. Ou mesmo deste vazio absurdo que tem vindo a crescer em mim, e que agora me ocupa por inteiro. Esta sensação, que nem o chega a ser, obriga-me a procurar constantemente coisas que o eliminem, que me preencham, que me tornem outra vez numa pessoa. No entanto, ele supera a minha força, insistindo em que sejamos um só. E eu quero-o longe.

Quero apaixonar-me outra vez! Mas aquela frase, já antes presente na minha vida, intensificou-se: “desiste, desiste antes que te magoes”. Desistir do quê? Ocorrem-me estas ideias quando ainda não voltou a surgir uma coisa pelo qual valha a pena lutar ou desistir. Estou novamente a antecipar situações e, consequentemente, a impedir-me de vivê-las.

Preciso de reaprender a viver um dia de cada vez e a retirar o melhor partido daqueles pequenos pormenores, que me costumam escapar tantas vezes. Tal como as minhas amigas me disseram hoje, durante mais uma crise de melancolia, tenho que ficar bem comigo mesma antes de procurar seguir em frente. Um vazio não se preenche com vícios estúpidos e actos irreflectidos. Aliás: um vazio nunca se preenche; desaparece quando chega o momento certo. Se ainda não chegou, paciência. Sorriso!

Por vezes, a solidão é necessária para que possamos reflectir sobre a importância das coisas.


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