O HP

Hoje, pela terceira vez em poucos meses, o meu computador portátil teve um problema na placa gráfica. Talvez tenha decidido protestar contra a minha decisão de comprar um novo, para não ter que o utilizar tanto. ;p No entanto, tomei-a com a melhor das intenções, porque sabia que ele morreria em breve, caso o utilizasse demasiado.

Seja como for, a avaria forçou a tão planeada compra. Não podia continuar a mandar o pobre a técnicos, apenas capazes de adiar o inevitável por poucas semanas. Penso enviá-lo ainda uma última vez. Quem sabe se é possível restaurar a sua saúde moribunda, mantendo-o vivo para uma utilização muito menos frequente?

Recuperável ou não, o seu tempo de glória terminou. Serviu-me bem durante muitos anos, o meu pequeno HP, aguentando-se enquanto um sistema operativo mal feito o carcomia lentamente. E como se regalou de felicidade quando o deixei respirar, instalando-lhe algo bem mais leve! Mas a sua hora estava marcada.

Adeus HP!


Egoísmo

Desde os meus primeiros anos de escola, lembro-me de ouvir várias vezes que me devia preocupar primeiro comigo, e só depois com os outros. O mais importante era o que eu queria. Qualquer opinião além da minha ficaria para segundo plano. Ninguém tinha direito de influenciar as minhas decisões a não ser eu própria.

E isto que disse, muita gente ouviu. É por isso que, em qualquer altura do vosso percurso escolar, terá aparecido um colega que não deixou a professora adiar um teste, porque tinha estudado muito, ainda que o resto da turma estivesse aflita. Ou aquele que não emprestou os apontamentos, por medo que o superassem.

Depois crescemos e começam a surgir as temáticas da compreensão e da solidariedade para com o outro. Mas na vida adulta continuam a aparecer os chefes que não pensam no bem-estar dos colaboradores e os colegas que passam por cima dos outros.

Se calhar a cultura do egoísmo já está muito metida nas cabeças, sei lá… Nos últimos tempos, parece-me que falta calor humano nas interacções sociais. Poucas pessoas tentam esboçar um pouco de simpatia quando se dirigem a outro, se estiverem cansados ou com algum problema, mesmo que seu o interlocutor não seja um interveniente na situação incómoda. Também vejo pouco esforço para acreditar no desenvolvimento positivo de alguém, ou da sociedade em geral.

Porquê? Porque é difícil acreditar e confiar nos outros? Claro que há quem não consiga aprender, quem seja calculista, quem não veja além do seu nariz… Contudo, se conseguimos distinguir estes traços de personalidade, é porque os podemos opôr a algo contrário, que também existe. E agir como se toda a gente tivesse má vontade é, precisamente, cultivá-la. Porquê então este conformismo geral?


Mais Um Tolkien

Nada melhor para começar o ano que uma nova adição à minha prateleira de Tolkien (que ainda não é bem uma prateleira, mas há-de ser…!).


O Sofá

Hoje vou contar-vos uma história. Há quem já a tenha ouvido, mas não me ocorre mais nada para escrever, e este pobre blog está a entrar novamente numa fase de escassez psicológica.

Ora, aqui há dias combinei ir ao cinema com uns amigos, no centro comercial Colombo. Como fui para lá directamente da aula de condução, cheguei uma hora mais cedo, pelo que procurei um sofá, para me sentar a ler o meu livro.

Para quem não conhece o Colombo, cada canto do centro tem uma série de assentos. Há também uma praça ampla, com um número especialmente grande deles. No entanto, se pensam que é fácil chegar lá e encontrar um lugarzinho para descansar os pés, desenganem-se: porque sentado em cada recanto encontrarão, quase certamente, um idoso. Àquela hora do dia, é uma sorte descobrir um lugar vazio.

Depois de algumas voltas, lá vi um velhote levantar-se. Apressei-me e consegui sentar-me. Tirei as Memórias de uma Gueixa da mala e comecei a desenrolar os auscultadores do leitor de música. Enquanto o fazia, pareceu-me ver um velhote que passava parar a olhar fixamente para mim, continuando, de seguida, o seu caminho. De qualquer modo, não liguei muito, pus os phones nos ouvidos e abri o livro. Depois de ler uma página, levantei os olhos e fiquei a observar o ambiente. Pouco tempo mais tarde, passou outro velhote a olhar para mim, e, depois disso, ficou cabisbaixo e prosseguiu.

Não vale a pena dizer que a situação se repetiu com alguma frequência, até que me fartei e fui procurar um espaço menos confortável para ler.


A Boa Tradução

Queria dar os meus parabéns à pessoa dotadíssima para línguas que traduziu isto do Francês:

biscoito


Bela, a Feia

Estava eu numa sessão de zapping pela box da MEO, quando o meu comando cai na TVRec, colocando-me à beira das lágrimas, perante uma imitação brasileira da Betty Feia (que, por sua vez, remonta a uma novela colombiana). Se estas eram de riso ou de choro, cabe-vos a vocês decidir, depois de verem este bocadinho que recolhi do YouTube, para efeitos de ilustração.

P.S. Graças à Ângela, descobri agora que a Rede Record pertence à IURD. Será esta uma Betty milagrosa?


Mais uma citação

“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”

Bernardo Soares no Livro do Desassossego

E o nosso Pessoa tinha sempre razão. Podem consultar mais citações dele na Wikiquote, ou os poemas completos, no Jornal de Poesia. Há dias em que me perco por lá. :)


Unhas

Pergunto-me se aquelas raparigas com unhas muito compridas e pintadas com mil e quinhentos enfeites conseguem manter um namorado por muito tempo.

35222735_1
Fonte


Bar Sobre Pedais

Bar sobre pedais
Fonte

Ora, tendo em conta que estes meninos não fazem parte da lista de veículos no Código da Estrada, vou assumir que só me voltarei a cruzar com eles se for passar uns dias ao norte da Europa. Era giro ver os senhores e senhoras, todos vermelhos, a pedalar e a beber as suas cervejas, enquanto o barman tratava da direcção.


Manifesto Anti-Farsas

Ainda há um ano e pouco atrás (nem sequer é preciso recuar muito), quando dizia que gostava de histórias de vampiros, algumas pessoas olhavam para mim, com o nariz meio torcido, e perguntavam “a sério”? Outras lembravam-se de mim quando ouviam algo sobre o assunto, e às vezes até recebia uma ou outra mensagem como “está a dar uma série de vampiros no canal X!” E era fixe. Agradava-me ser a rapariga que gostava de coisas góticas e tinha uma panca pelos vampiros.

Uma vez, sugeriram-me que lesse o Crepúsculo, porque tinha vampiros e era muito giro. Eu fui comprá-lo e li. Achei-o bastante lamecha, “mas está bem, tirando isso não é mau de todo, até tem os seus aspectos positivos e o seu não-sei-quê de piada”. Guardei-o na prateleira e ainda ali está, só lhe tendo mexido para o tentar pôr à venda no Ebay.

Nunca pensei que, poucos meses depois, rebentasse uma moda louca de vampiros, que faria com que toda a gente desinformada trouxesse à baila o raio do livro, ao falar-se das desgraçadas criaturas. É ver-se, sempre que aparece algum título novo, expressões como “era do Crepúsculo“, podendo citar mesmo a programação da RTP. Contudo, tenho para mim que todos os livros e séries que aproveitaram o protagonismo desta saga, exageradamente sobrevalorizada, hão de ser mais vampirescos que a própria.

Estou a escrever isto porque me irrita. E não sou a única com esta opinião. De repente, é ver pessoas insuspeitas a dizer que adoram os bichos, sem sequer perceber o que estes são realmente. Se virem ou lerem obras com vampiros a sério, provavelmente acharão mórbido e horroroso. Seres mortos-vivos que arrancam o sangue do pescoço à dentada não são propriamente românticos, minhas amigas. A título de exemplo, refiro o Drácula ou as Crónicas dos Vampiros de Anne Rice (das quais surgiu o filme Entrevista com o Vampiro), ou mesmo algo mais recente, como o Underworld ou O Historiador.

Pois leiam, e passem a dizer que gostam do Crepúsculo, e não de vampiros em si, para que as pessoas que os apreciam não se sintam embaraçadas. E para vosso próprio bem, porque vocês não são; apenas não são esse tipo de pessoa. Obrigada.

E é a última vez que falo disto, não vá arriscar-me a ganhar alguma espécie de mania!


Actualização de Natal

O header enfeitado significa que estou a precisar de um valor elevado em chocolates, para comprar um computador novo. :p


Leitura: Marked

Marked

Marked, P.C. & Kristin Cast

Foram duas as razões que me levaram a comprar este livro: a primeira foi a capa, com entalhes envernizados, semelhantes a flocos de neve. Em segundo lugar, estava ao pé da série Brumas de Avalon na prateleira da loja, o que me pareceu um bom presságio. Quando percebi que se tratava mesmo de uma história de vampiros, já me tinha decidido a comprá-lo. Depois da desilusão do Crepúsculo lamecha, andava relutante em ler novas abordagens do género.

Contudo, não me desiludiu. As autoras conseguiram criar uma personagem adolescente muito verosímil, com uma personalidade bem delineada, que toma as suas próprias decisões, mesmo quando é arrastada para todo o tipo de acontecimentos mirabolantes.

Quanto à história, mistura um conjunto variado de elementos de outras narrativas, mas de forma bem conseguida, sem acabar numa salganhada incoerente de ambientes e criaturas estranhas. Contada na primeira pessoa, a trama começa quando a personagem principal, Zoe, é “marcada” para ser algo mais que humana, sendo obrigada a transferir-se para uma escola com jovens iguais a ela. Aqui, vai aprender a sobreviver às mudanças físicas e psicológicas da transformação.

Apesar das semelhanças com Harry Potter não terminarem aqui, os elementos centrais estão longe de ser os mesmos. No mundo de Zoe, os humanos sabem da existência dos “vampyros”, apesar de não gostarem deles. A sociedade nova em que a personagem entra é fortemente baseada na Wicca, tanto nos rituais como na estrutura matriarcal. Neste aspecto, é uma lufada de ar fresco, no meio de toda a literatura de fantasia, que continua a ter medo de trocar a ordem das coisas em relação ao mundo real.

Admito que achei a nomenclatura “vampyro” um bocado idiota, mas ao fim de algumas páginas já não me incomodava.

No geral, foi uma leitura agradável, mas tenho pena que a história se desenrole rápido de mais. Pessoalmente, prefiro quando o leitor tem tempo para digerir as palavras. Não gosto de chegar ao fim e pensar “já?!”. A linguagem arrojada, no entanto, compensa um pouco, e o final em aberto promete mais acção.

O história continua no volume “Betrayed”, que penso adquirir um dia destes. A tradução dos dois para Português já se encontra disponível nas livrarias, mas, neste caso, prefiro manter-me pelo original. Claro que tenho curiosidade em ver como é que uma linguagem tão americanizada terá sido traduzida para a nossa língua materna.

Definitivamente, uma boa escolha para as adolescentes lamechas deixarem o Crepúsculo de lado, e aprenderem que é possível ter-se uma personagem da sua idade com massa cerebral, que faz algo mais da vida além de se babar para cima de um homem.


Karma 2.0

Começo a pensar que é psicológico, o facto de apanhar amigdalite sempre que tenho alguma coisa para estudar.


You’re a Bitch

O youtube devia fazer qualquer coisa em relação a este vídeo. x.x


Aniversário

É verdade… No dia 1 de Novembro, este blog fez dois anos. O que lhe vão dar de presente? :p


O Sonho


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

Pedra Filosofal

Toda a gente tem um sonho, algo que deseja profundamente quase desde que se lembra de ser alguém. Pode afirmar-se na infância ou na adolescência, mas é algo que sempre soubémos, desde muito cedo.

A sociedade em que vivemos não propicia o seu desenvolvimento, criando todos os mecanismos possíveis para que nos sintamos “satisfeitos”. Isto leva ao esquecimento do que é realmente importante. As redes sociais, os programas de televisão pré-fabricados, os produtos comerciais, a tirania da imagem, toda essa porcaria com que nos ocupam a cabeça… só serve para isso mesmo. Andamos feitos zombies, a consumir o máximo que pudermos, ficando, contudo, sem tempo para nós próprios. Ocupados com conflitos inúteis, utopias falsas, prenúncios da decadência social. Tudo importa, menos pensar.

É lembrar-me disso que me recorda que não estou a fazer nada realizar o meu sonho. Que cada passo que dou me arrasta para longe dele, um pouco mais em cada dia que passa. Às vezes nem me lembro que existe, mas ultimamente parece ser tudo o que mais quero. No entanto, a minha cabeça continua ocupada com coisas inúteis.

Quero sair disto.


Doidas

Agora quem é que vai ser capaz de me contrariar quando disser que os asiáticos são fofinhos? Hein?


Até breve

Danger_Ahead_by_claudit

Saio do comboio e encontro-te à minha espera. Nesse momento, é como se aqueles trezentos e tal quilómetros nunca nos tivessem separado. E o melhor de chegar a casa, uns dias mais tarde, é saber que daqui a nada estaremos juntos outra vez.


Uma frase

Os melhores amigos que se pode ter são as pessoas mais simples.


Inspirações Disney, n.º 1

God Help the Outcasts – Corcunda de Notre-Dame

As religiões existem desde que há registos da história humana. Em todas as civilizações que estudamos ou conhecemos, há sempre uma ou um conjunto de entidades que estão acima dos comuns mortais, e que os vigiam e protegem durante as suas vidas.

Mais ou menos fechadas, repressoras ou não, este é o propósito comum a todas: a redução do sentimento de desamparo, nas alturas em que o resto do mundo parece funcionar mal. Quando alguém está sozinho, precisa de alguém que o ajude, ou, pelo menos, que o ouça.

Pois a solidão é uma característica consequente da nossa dualidade enquanto humanos. Se aquilo que nos forma – a personalidade, o aspecto, os objectivos, isso tudo, – deriva da interacção com os nossos pares, não existe verdadeiramente nenhuma maneira de estarmos sempre acompanhados por eles, nem que, por vezes, seja apenas em pensamento.

Na maior parte das sociedades, a dominância das religiões confunde-se com o seu verdadeiro objectivo, e com a história em si. Na civilização em que vivemos, contudo, se a religião dominante já não consegue impôr muitos dos seus valores, poderia – vamos a ver – ter muito menos influência. Mas por que continua a maioria da população a segui-la, quando há argumentos por cima de argumentos que tendem a torná-la obsoleta? Por que motivo continuam a acreditar nos contra-argumentos, num mundo dominado pela ciência?

Julgo que é precisamente por causa daquela necessidade de sentir protecção. Refiro-me a uma protecção contra a loucura, que mantenha aquilo que nos esforçámos para ser, mesmo quando nos sentimos abandonados por todos. Algo para nos agarrarmos, para que não nos desviemos muito do que nos faz sentir bem.

No entanto, não me tomem por defensora de qualquer religião. Apesar de tudo, não acho que seja precisa uma para ganhar a segurança de que falei. Cada pessoa é única, e, por isso mesmo, é à medida que vive que vai encontrando as coisas que a mantêm firme. Pela minha experiência, posso dizer que até tentei acreditar em mais que uma religião, mas cansei-me rapidamente, pois o meu caminho não passava por aí. Acho que as pessoas deviam ser educadas para perceber aquilo que as move realmente, mas essa reflexão ficará para outra altura.

A questão é que, se deixamos de acreditar nestes talismãs, que nos ajudam a viver – sejam eles religiões, sonhos, memórias ou pessoas, – é fácil deixar que, nos momentos menos oportunos, os sentimentos mais negativos nos consumam. Talvez a existência se transforme em mera sobrevivência, porque não há objectivos para cumprir, nem motivos para os desenvolver.

Será possível sermos humanos se não tivermos algo a que nos agarrar?